quinta-feira, 5 de novembro de 2009

ROTINA DA EDUCAÇÃO INFANTIL...roteiro teórico

O que é a Rotina da educação infantil senão uma grande bricadeira?
Sim, você leu certinho, Brincadeira!
É atraves do brincar que tudo é organizado e construído, pois só e somente isso tem sentida para os pequenos.
Mas, o que é Rotina?
Antes de dar as nossas sugestões de atividades e encaminhamentos, vamos explicar!

1-UM POUCO DE TEORIA

A Rotina é um instrumento que possibilita que o professor concretize seu planejamento didático uma vez que prevê horários e dias para a realização das atividades, como também, refere-se à organização do espaço da sala de aula, das atividades externas realizadas fora do espaço de sala de aula, dos materiais que serão expostos para favorecer os questionamentos, desenvolvimento e às aprendizagens das crianças. A rotina diária na educação infantil deve ser planejada com intencionalidade educativa, portanto, deve prever momentos de atividades individuais e coletivas, atividades coordenadas pelo professor e outras em que as crianças tenham autonomia para realizarem sozinhas.
Para a construção de uma rotina produtiva, o professor precisa considerar as idéias das crianças e estruturá-las aos poucos, com a participação da turma. Quando as crianças compreendem como o processo foi construído, sentem que fazem parte deste trabalho de forma integral, desta forma, o professor saberá quais as melhores estratégias para serem trabalhadas com a turma.

1.A-Mas, O que é mesmo Rotina
É bastante comum associar a rotina a ações ou costumes enfadonhos e desinteressantes de nossa vida. Porém esta é uma idéia preconceituosa. Para Piaget, os indivíduos tendem a buscar uma organização interna, criando um modo próprio de agir em seu meio, pois é inerente à natureza humana a ritualização de determinados procedimentos, a fim de internalizá-los e aperfeiçoá-los. Portanto, nem tudo que realizamos habitualmente constitui-se em uma atividade passiva e alienante. Ao contrario, alguns hábitos, como aqueles relativos ao estudo e à aprendizagem, exigem ações, conceituação e reflexão constante.
A rotina de atividades imposta pelo professor faz dele o único responsável pelo planejamento, desenvolvimento e avaliação das tarefas educativas descaracterizando a função participativa da rotina rígida por desconsiderar a criança, que precisa adaptar-se a essa estrutura artificial, e também o adulto, pois tende a tornar seu trabalho monótono, repetitivo e pouco participativo, ou seja, nada atrativo.
A rotina em uma classe de educação infantil não deve ser uma simples repetição de atividades dirigidas pelo professor, mas a estruturação de uma seqüência de atividades previamente combinadas com as crianças, pois, é através da sua atuação em jogos, da interação com o meio e com o outro, que a criança constrói conhecimentos. Todos os tipos de conhecimento necessitam da atuação da criança, que aprende a partir das relações que estabelece com o objeto ou a partir de objetos numa situação de jogo. O professor tem como função planejar atividades, encaminhamentos, intervenções e materiais para ampliar e enriquecer essas interações da criança com os objetos, com o meio e com as pessoas.
A rotina é fundamental no desenvolvimento do trabalho pedagógico. Ela situa a criança no tempo e no espaço, fornecendo-lhe segurança, conforto, facilitando sua adaptação, assim como sua orientação durante o período em que está na escola. A sucessão de acontecimentos dentro de uma ordem estável faz com que cada um se aproprie do seu tempo, dentro do ritmo de trabalho em grupo. Deixa a criança segura para confiar no adulto, pois compreende que suas vontades são respeitadas, na medida em que percebe que existe um tempo para tudo, aprende a perceber a existência de regras importantes para boa convivência social. É fator primordial no desenvolvimento da sua autonomia e de sua independência.

1.B-Rotina Participativa
A criança é ativa e participativa no seu processo de desenvolvimento. É através das interações com os adultos, com outras crianças e com o meio que ela se desenvolve e vai construindo seus esquemas perceptuais, motores, cognitivos, lingüisticos e sua afetividade, como nos informa Haddad. Uma proposta educacional voltada para a formação de um cidadão autônomo e transformador precisa considerar a criança como agente. O primeiro passo a dar nessa direção é estruturar junto com os alunos a rotina de trabalho e realizar o planejamento cooperativo. A rotina organizara os diversos momentos do dia-a-dia e o planejamento possibilitara a escolha das atividades que farão parte de cada momento.
1.C-Planejamento cooperativo

A rotina orienta o trabalho pedagógico. Ela procura equilibrar o tempo individual e o coletivo, o de livre escolha e o das propostas do professor para o grupo. Assim, há momentos em que a criança escolhe o que, como e com quem quer brincar e outros momentos onde os desafios são planejados pelo professor. A intenção é fornecer condições para que a variedade de opções à disposição das crianças seja relativa aos interesses manifestados por cada faixa etária. Se, por um lado, é muito importante que a rotina seja estável, é também fundamental que ela seja suficientemente flexível, variando de acordo com a dinâmica de cada grupo. A duração de cada atividade e a ordem em que elas acontecem varia de acordo com a maturidade e o tempo de concentração de cada faixa etária. O planejamento cooperativo é a combinação diária das atividades de rotina e das atividades de livre escolha. É uma circunstancia importante, onde as crianças dizem e combinam entre si o que querem fazer e registram suas escolhas. Através dele o professor mostrará às crianças que existem momentos de livre escolha onde se fazem opções e que, em outros momentos, é o professor que propõe o que deve ser feito.
É a divisão de responsabilidades - hora do professor, hora dos alunos, hora de ambos. O planejamento cooperativo inicia-se juntamente com a estruturação da rotina. Quando as crianças já experienciaram e simbolizaram o desenho com lápis de cor e com giz de cera o professor oferece os dois materiais para serem utilizados ao mesmo tempo.
O processo segue acrescentando-se um material de cada vez.
1.D- Estruturação da rotina
A rotina se constitui em uma seqüência de varias ações e trabalhos de adultos e crianças. Algumas dessas ações envolvem diversos profissionais e turmas da escola e, por isso, necessitam do acerto de um horário pré-estabelecido, como a hora da entrada das crianças. Outras envolvem apenas um professor e sua turma de alunos, podendo ser estruturadas de forma flexível e diferenciadas das demais classes da escola. A definição da ordem das atividades e do tempo necessário para realizá-las deve fazer parte de uma combinação entre o professor e seus alunos e revista sempre que necessário. A estruturação e compreensão da rotina da escola é importante para crianças pequenas e se efetuará através da familiaridade progressiva com o ambiente escolar e as possibilidades que ele oferece, sabendo de antemão o que ira acontecer desde o inicio ate o fim da aula, a criança tende a tornar-se progressivamente mais independente do professor, podendo agir com mais liberdade e autonomia.

1.E-Regras ou combinados
A compreensão da rotina pode ser ampliada através do emprego de imagens.
As imagens podem ser visuais( fotografia, figuras e desenhos), auditivas( musicas e sons) e de ação( evocação do movimento). A representação das imagens de cada momento do dia de trabalho auxiliará no cumprimento daquilo que foi combinado. As imagens podem ser representadas por símbolos que ilustrem as combinações, diferenciem as atividades e facilitem a visualização da ordem em que elas irão ocorrer. A criação e escolha dos símbolos deve ser feita pelo grupo de alunos. O melhor símbolo será aquele em que os alunos reconhecem com facilidade a atividade que representa. A representação gráfica das atividades nem sempre é possível. Nas turmas de crianças de 2 e 3 anos, que ainda estão garatujando, a organização da rotina pode ser feita através de fotografias da própria turma trabalhando. Estes são afixados em mural, sempre acompanhadas da palavra correspondente. Já nas classes de crianças de 3 e 4 anos, em que o desenho esta se desenvolvendo, as fotos são substituídas por figuras. Nas turmas de crianças de 4 e 5 anos e 5 e 6 anos a maior parte das crianças já conseguem representar graficamente elementos do real. Desta forma, usar os próprios desenhos das crianças na simbolização da rotina torna-se mais indicado. Todas as atividades de ensino podem ser simbolizadas, mas uma de cada vez. Se no primeiro dia inicia-se o símbolo da chegada, no segundo dia retorna-se o símbolo da chegada e inventa-se outro para a rodinha. No terceiro dia retoma-se os dois símbolos já criados e idealiza-se o próximo. Assim, o processo continua até que as atividades possíveis tenham a sua representação.

1.F -Escolhendo os grupinhos – trabalho diversificado

O trabalho diversificado tem facetas diversas e interessantes, mas é importante não confundir trabalho diversificado com atividades variadas. No trabalho diversificado, apesar de haver um número diverso de atividades, são elaboradas e têm propósito pedagógico planejado e estruturado pelo professor.
A seleção e escolha dos grupos pode ser livre, combinada ou em sistema de rodízio diário, semanal etc. Num processo de livre escolha, quando o professor pergunta à criança: com qual material você quer trabalhar hoje? A criança faz sua opção e reúne-se com os colegas por identidade. Juntos buscam na estante o material que necessitam e realizam o trabalho a que se propuseram. O tempo de cada criança é diferenciado. Nem sempre todos permanecem todo o tempo na atividade que escolheram. Assim, quem terminou seu trabalho pode reiniciar outro trabalho, com outro material e em outra mesa. O respeito ao indivíduo é fundamental: se as crianças sentem-se respeitadas, elas aprendem a respeitar. A presença do educador nessa circunstancia é indispensável. Ele deve aproveitá-la para observar as crianças, perceber seus interesses e, sempre que possível, lançar-lhes desafios relativos ao tema gerador. Também será o horário indicado para se trabalhar individualmente com os alunos, uma vez que grande parte do grupo trabalhara sem requisitar o auxilio do professor. 1.G-Organização do espaço Espaço físico e proposta não podem ser pensados separadamente. Uma concepção educacional que se propõe a favorecer o desenvolvimento de uma criança autônoma necessita de um ambiente que proporcione as condições para que isso aconteça. Todo o espaço da sala deve ser organizado de forma a garantir um convite ao trabalho.
A sala de aula é um local de vida e aprendizagem que deve ser criado, ocupado e habitado. As crianças precisam familiarizar-se com este ambiente e reconhece-lo como seu. É tarefa do educador re-arranjar, reorganizar os espaços, a fim de possibilitar a livre circulação entre os vários ambientes e o acesso facilitado a todos os materiais de ensino.
As mesas ou grupinhos podem ser identificadas com fichas dos nomes e ilustrações das atividades disponíveis o que irá familiarizar ainda mais a criança no ambiente.

3 comentários:

  1. maria de lourdes (maringá PR)12 fevereiro, 2013 21:24

    Gostei do jeito que voceis os comentarios sobre educação infantil!

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  2. Encantador este blog! Fundamentação e Paixão numa parceria em prol do compartilhar experiências através de uma visão poética do ensinar! Obrigada por este entusiasmo e parabéns!

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  3. As vezes nos vemos perdidos na nossa profissão mas e gratificante quando nao estamos mais so´s.......

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